quarta-feira, 16 de abril de 2008

Do Tibete à Amazônia

Prestem atenção nessa matéria do repórter Marcos Magalhães e veja também o que foi colhido por este blog em alertas através de E-mails na Internet (na segunda matéria).

As manifestações a favor da independência do Tibete que acompanharam o percurso da tocha olímpica em diversos países, nos últimos dias, deixam claro a quem ainda não quer ver: o palco político torna-se cada vez mais global. Vai se perdendo no retrovisor aquele tempo em que cada país podia – na maioria dos casos – dizer ao restante do planeta para não se meter em seus assuntos internos. Os olhos do mundo estão cada vez mais abertos. E, se isso afeta a China hoje, pode muito bem afetar o Brasil amanhã.

Mas não é que aqueles monges do Tibete resolveram entrar no jogo? As análises de risco político promovidas pelo governo chinês, em preparação para as Olimpíadas, certamente devem ter priorizado outras ameaças, como as de terrorismo. Depois do 11 de setembro, afinal, qualquer cuidado é pouco, em qualquer lugar do mundo. Ainda mais em um evento tão importante. Quem sabe Taiwan também terá preocupado os líderes chineses, com seu discurso de independência em relação a Pequim.

Se existem dois temas que devem ganhar cada vez maior repercussão internacional, esses são os direitos humanos e o meio ambiente. Quanto aos direitos humanos, a simpatia mundial pela causa do Tibete está aí para mostrar que será cada vez menos aceita a repressão à liberdade de um povo. A China poderá promover os melhores Jogos Olímpicos da história. Mas a história também vai registrar as manifestações internacionais a favor do Tibete.

Se neste ano temos Olimpíadas, em 2014 temos a Copa do Mundo no Brasil. Assim como hoje as atenções estão voltadas para Pequim, dentro de seis anos bilhões de telespectadores de todo o planeta estarão ligados no Brasil. Estarão atentos ao futebol, é verdade. Mas o gancho de uma Copa do Mundo vai certamente motivar, também, a realização de dezenas de reportagens sobre o país onde a bola vai rolar. Como sempre, vai-se falar de samba, mulatas, favelas. Só que esses antigos temas serão acompanhados de outro, cada vez mais importante – o meio ambiente.

Assim como o Tibete é hoje o calcanhar-de-aquiles de uma China moderna e poderosa, a questão ambiental – e a Amazônia em particular – pode representar uma ameaça à projeção de uma nova imagem do Brasil para o mundo, oito anos antes da comemoração do bicentenário do país. Ainda temos tempo. Nos seis anos que nos separam da primeira partida da Copa de 2014, o Brasil pode investir bem mais do que tem investido até agora na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável. Se tiver bons resultados para mostrar até lá, o país poderá conquistar admiradores não só pelo que faz nos gramados, mas também pelo cuidado com as suas florestas.

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